quarta-feira, 29 de abril de 2026

Considerações sobre mindfulness e espiritualidade - Parte I

 Como leitora, sou muito crítica e analítica, não necessariamente nessa ordem, mas é assim que é. Depois de um tempo, lendo e analisando conteúdos sobre mindfulness, comecei a cogitar como os princípios dessa dinâmica se encaixam no processo da cura espiritual… 


Não se espante com o termo “cura” aplicado no âmbito da espiritualidade… é mais que viável e plausível… é necessário aplicar-se esse conceito quando abordamos questões espirituais, para que o processo de restabelecimento da harmonia interior seja eficiente.


Analisemos da seguinte maneira:- o ódio, a raiva, a mágoa e outros sentimentos causam traumas profundos, principalmente se guardados e alimentados ao longo do tempo… as pessoas passam a sofrer de depressão, ansiedade, síndrome de pânico e outras condições pertinentes a distúrbios mentais e emocionais…

Em muitas situações, os traumas são tão profundos que a pessoa não ficará totalmente recuperada… 


Portanto, é necessário entender que, apesar dos esforços da ciência, está faltando um elo nesse contexto… o elo da espiritualidade… 


Vejamos agora a percepção do aspecto que nos trouxe a esse assunto. a premissa de Mindfulness que nos afirma que - “você NÃO é o que você pensa”... a maioria das pessoas prefere se acomodar nessa premissa, ou simplesmente aceita, porque foi uma ideia desenvolvida por pensadores ou estudiosos acadêmicos… mas não é bem assim… 


A premissa, evidentemente, quando aplicada corretamente, produz seus efeitos positivos e apresenta resultados eficazes, mas infelizmente, não soluciona as questões mais profundas do ser humano, que estão ancoradas na espiritualidade de cada um… 


É óbvio que eu estou analisando apenas uma fração de todo um contexto de Mindfulness, cuja abordagem é trazer o ser humano a se ancorar no momento presente , sem se torturar com o passado, ou se angustiar com o futuro… mas não me leve a mal, o Budismo já fazia isso com maestria… entretanto, as nações ocidentais descobriram o Budismo muito tardiamente, e com toda a velocidade do progresso, as pessoas não têm tempo para parar e ler; apreciar o conteúdo da leitura e analisar… 


E a leitura é uma ferramenta fundamental para quem busca ampliar seu nível de conhecimento… é preciso pesquisar, ler, analisar, observar, refletir sobre os conteúdos… mas isso é muito cansativo e trabalhoso para as mentes que estão voltadas para os “shorts” do universo midiático… e a humanidade entorpece lentamente sua capacidade de pensar, de discernir, de analisar e decidir… 


Muitas pessoas já me disseram que eu “deveria deixar de lado essas questões espirituais”, que eu penso demais sobre esse assunto, e inclusive profissionais da área da saúde mental, já me disseram que não há nada a se fazer a esse respeito, porque espiritualidade é um assunto essencialmente pessoal e cada um administra da maneira que melhor lhe “convém”… mas não é sobre conveniência…


Com toda a certeza, o meu conhecimento não fez o mundo se tornar um lugar melhor pra se viver, entretanto, esse conhecimento me ajudou a criar um modo de vida mais saudável, me trouxe mais qualidade de vida, e eu me sinto grata por isso… 


Ampliar minha percepção sobre o momento presente, sobre gratidão, perdão e compreensão, me trouxe paz…

Infelizmente, a ciência como é conhecida e trabalhada no âmbito do mundo material, é limitada… então seus resultados também serão limitados… eventualmente, pessoas tratadas pela ciência com os processos atuais, até mesmo da neuropsicologia, estarão sujeitas a “recaídas”, ou seja, por algum tempo desfrutarão de segurança, mas em algum momento, se sentirão fragilizadas novamente… ou, na pior das hipóteses, não haverá recuperação…


“Não somos o que pensamos” pode ser bem funcional até um determinado nível, mas ainda assim é uma premissa que limita o ser humano a um “aqui e agora” sem história, e um planejamento de futuro que não precisa dar certo, porque ainda não aconteceu… até certo ponto, considero prático, mas não 100% eficaz…


Em vez de um equilíbrio sólido, pode trazer apenas a sensação de euforia, mas o ser que está ansioso pela construção da sua paz, não está necessariamente atento a todas as nuances da própria situação, ou de seu próprio contexto… 


É verdade que quando estamos vivenciado uma situação difícil, nos é mais difícil analisar com clareza todos os detalhes… e dependendo do grau de ansiedade e desconforto que a situação nos provoque, não vislumbramos mais nada, além do problema em si… 


Certa feita, uma pessoa, que eu prefiro não qualificar como profissional, me disse com todas as letras que eu “não tinha nenhum problema, porque uma pessoa com distúrbios emocionais não tem discernimento de que está mal e precisa de ajuda”. Menos de uma década mais tarde, eu tive que enfrentar uma depressão profunda, e não me pergunte como essa questão foi resolvida, porque eu não lembro, e não tive apoio e compreensão de absolutamente ninguém, até o pouco onde eu me lembro…


O meu processo de recuperação foi lento e doloroso, e eu percebi que, definitivamente, faltava alguma coisa na minha vida… essa alguma coisa se traduziu como cultivar a minha espiritualidade além das limitações religiosas, ortodoxas ou não, reconhecidas ou não pela ocidentalidade do hemisfério onde estou vivendo, do pragmatismo filosófico… (ou pseudo filosófico)... 


A espiritualidade é universal e está muito além das limitações impostas pelas ideologias modernas, e talvez por essa razão, o ser da sociedade moderna, esteja em busca de sua ancestralidade, para preencher esse “vazio” que lhe vai na alma… 


Os nossos pensamentos imediatos podem não representar a totalidade do que somos, mas representa sim, uma porção considerável do que somos… (ou, de quem somos…).


Para a restauração do equilíbrio anestesiado por tantas décadas, ou talvez, séculos de progresso materialista desenfreado, será necessário, talvez, outro tanto de tempo, para reparar as sequelas, e curar…


Mas, o ser humano da modernidade tem pressa… não tem tempo, não tem disposição, não tem interesse… ele quer que a “cura” caia de paraquedas no seu colo e que tudo se resolva em um piscar de olhos… porque, como já me disseram uma vez:- “essa coisa de espiritualidade não paga as contas…”


Não precisa nem desenhar… o que paga as contas é trabalho… mas como a pessoa será produtiva se não está em harmonia consigo mesma e com a vida?  Ao longo dos anos desenvolverá condições emocionais desequilibradas que trarão resultados prejudiciais à sua própria vida, e à vida das pessoas que estão ao seu redor, seja em sua casa, no trabalho ou em sua vida social… simples assim…


O Mindfulness nos permite perceber que precisamos olhar com carinho os nossos pensamentos, cuidar do que pensamos, entender porque pensamos os nossos pensamentos… isso nos remete ao próximo passo que é o autoconhecimento… Esse é um aspecto importante que abordaremos futuramente… 

Para entender um pouco melhor o porque dos nossos pensamentos serem do jeito que são, como “corcéis galopando desgovernados por uma pradaria imensa”, precisamos perceber que esses pensamentos que emergem em nossa mente, são a exteriorização dos nossos sentimentos… e os sentimentos vem da nossa espiritualidade… 


Eu poderia figurar aqui, a nossa “porção” espiritual, a nossa “parte” espiritual, mas essa ideia não corresponde à realidade… porque a nossa materialidade é que consiste em uma porção do que realmente somos… e quer acredite ou não, quer aceite ou não, quer entenda ou não, a nossa essência é espiritual… tudo o que sentimos provém do espírito, ou da essência universal que somos… ou seja lá o nome que prefiram dar… em síntese, as palavras não mudam a realidade que desconhecemos, ou que preferimos ignorar… 


Concordo com a filosofia do Mindfulness de que é preciso parar de viver no passado, não criar expectativas relativas ao futuro, e viver intensamente o presente… aproveitar cada momento… viver cada momento como se fosse único, e porque não, eterno… Isso também pode ser entendido como “ichigo ichie” - “a arte japonesa de transformar cada instante eu um momento único”...


Para muitos profissionais, o passado não importa… deve ser esquecido e até mesmo ignorado… a psicologia moderna, aborda o passado de forma menos intransigente, reconhecendo que os traumas tem origem no passado… mas ainda assim, cuidam apenas do passado “tangível”...


O que realmente precisa ser curado, está em um passado mais distante, e são muito poucas as pessoas que se dão conta dessa realidade… 


Esses processos de cura, são realmente mais demorados… é inútil pensar que algumas seções de terapia convencional resolverá a situação… mas as pessoas querem tudo pra ontem, e consideram mais cômodo encontrar alguém que faça o “dever de casa” por elas, que lhes dê soluções prontas, em vez de tentar resolver por seu esforço, seus dilemas…


A medicina e suas terapias, são ferramentas de apoio, de nada servirão se o paciente não fizer a sua parte… não é o médico que vai curar, nem o remédio… são ferramentas de apoio que, dependendo da sua própria atuação, podem surtir resultados muito positivos, promovendo seus restabelecimento… mas o fator fundamental em seu processo de cura, é você mesmo…


Já parou pra pensar em quantas vezes você tomou um remédio e não se sentiu melhor? Em quantas vezes fez um tratamento para alguma condição e não teve a resposta desejada?


Já parou pra se perguntar o quanto você acreditava no que estava fazendo, e no quanto se esforçou para que desse certo?


Como afirmei anteriormente, alguns tratamentos surtem efeito sim… temporariamente… se uma determinada doença não volta, aparece outra… e assim por diante… 


O que as pessoas insistem em não ver e aceitar, é que a doença começou no “coração”... a “doença” está em sentimentos distorcidos que geram uma energia com padrão negativo… essa energia atrai outras do mesmo teor, e vão se acumulando até intoxicar o físico da pessoa… 


É assim que funciona… é simples e ao mesmo tempo não é, porque nos falta conhecimento sobre essa questão da espiritualidade… 


Tudo que sentimos se exterioriza de alguma forma, mesmo quando pensamos que não se exterioriza… a partir do momento que estamos sentindo, ou que sentimos algo, mesmo que momentaneamente, esse sentimento já vibrou de alguma forma, produziu um padrão e vai atrair uma energia do mesmo teor… 


Então, o quê fazemos? Suprimimos os sentimentos? - Negativo… 


A “cura” está em cultivarmos bons sentimentos, como por exemplo, a gratidão, que está tão na moda, e eu espero que nunca saia de moda… 


Quando nos tornamos capazes de cultivar gratidão pelas “mínimas” coisas que temos, nos tornamos mais felizes… e a felicidade vibra num padrão elevado, tanto quanto a gratidão… 


Então, não se trata de suprimir sentimentos, mas sim de aprimorar, melhorar os nossos sentimentos, para que possamos viver com mais leveza de alma… é um processo que requer um tanto de dedicação e esforço, e nos cobra algum tempo, porque ninguém pode fazer por nós o que devemos fazer por nós mesmos… 


Exercícios práticos como o Mindfulness, respiração e yoga, e outros, são ferramentas para nos ajudar a obter um resultado positivo na restauração ou conquista da nossa paz interior… e ferramentas são meios e não a cura em si… 

A Lei da Atração nos ensina que atraímos para nossa vida, aquilo que está em acordo como o padrão em que estamos vibrando… ela se refere não somente ao pensamento, mas principalmente, ao que estamos sentido… ao que abrigamos em nosso coração, mesmo que em segredo de nós mesmos… é isso que o universo nos devolve…


E é um fato… quem vivencia conscientemente essa experiência, tem subsídios para comprovar a veracidade dessa realidade…


Então, em tese, somos sim, o que pensamos, porque nossos pensamentos são a exteriorização do que sentimos e retratam fielmente como estamos espiritualmente…


Se os pensamentos estão convulsionados, é sinal de que nossos sentimentos também estão e talvez estejam em condições mais exacerbadas… e isso se reflete no nosso espaço exterior… agimos com impaciência, falamos de forma agressiva, vivemos o cotidiano com indiferença e cansaço… o nosso espaço físico como moradia, também fica caótico… 


Curar o passado, do ponto de vista da medicina, é importante sim… mas é preciso ter em mente que, vivemos em uma realidade que faz parte de outra universal, temos um passado que muitas das vezes é desconhecido. e se o que está oculto nesse passado, não for devidamente tratado e curado,  os processos convencionais de cura, serão o mesmo que tomar um analgésico para uma dor de cabeça, que passará momentaneamente, mas provavelmente retornará…


Esse é um assunto que não se esgota em apenas um artigo, e tem seus desdobramentos. 


Tentaremos uma abordagem mais detalhada em artigos futuros, incluindo esses desdobramentos para que, de alguma forma, possamos contribuir para o desenvolvimento espiritual do nosso leitor.


Gratidão por sua presença.





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